stollen de natal, frutas sem economia

Este Weihnachtstollen ou Stollen de Natal é um dos pães doces mais deliciosos e honestos que já comi e já fiz. É uma versão intensa e alemã do panetone, mas com sabor muito mais real, na minha opinião.

Quem me ensinou este Stollen foi a Eva, alemã de verdade, mãe da Ilonka, amiga da família. É um pão comido tradicionalmente no Natal, como diz o nome. Por isso, e também pela cultura alemã, é um pão de peso, intenso. Fiz pela primeira vez com a Eva há anos atrás, numa tarde quente em Itu, mas isso não desvalorizou em nada a intensidade do pão, já que minha língua está batizada com as doces e gordurosas heranças portuguesas. Ficou uma delícia e nem pondero quando está muito quente ou se queremos algo fresco. O Stollen cai muito bem em qualquer dia do ano.

Para prepará-lo você vai precisar de:

  • 500g de farinha de trigo branca
  • 20g de fermento biológico fresco
  • 80 a 100g de manteiga
  • 50 a 80g de açúcar
  • 250ml de leite
  • 1 ou 2 ovos
  • uma pitada de sal
  • e um prato de sopa cheio de frutas cristalizadas ou cascas de cítricos, 60g de uvas passas brancas e mais 60g de escuras, 60g de amêndoas ou nozes, ou misturadas
  • e umas raspinhas de limão ou de laranja, ou rum

   

Preparo

Junte o fermento com o açúcar e o leite morno, misture. Depois acrescente à farinha e trabalhe a massa na mão ou na batedeira. Coloque então o prato de frutas e castanhas na massa, incorpore-o. Boleie a massa e deixe fermentar.

Amasse novamente a massa, modele e deixe crescer mais uma vez. O formato original do Stollen é uma massa ovalada e chata que é dobrada sobre si mesmo, como na foto acima.

Depois de fermentar, pincele gema e leite por cima e asse por aproximadamente uma hora em forno médio, até dourar. Doura fácil, porque a gema escure bastante a superfície do pão. Fica muito bom e bem cheiroso!

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doce de carambola em calda

O doce de carambola em calda é um exagero de açúcar que a gente se permite mais que de vez em quando, principalmente por conta da mineiríce acesa da mamãe.

Comendo só uma colherinha de café até os menos interessados em açúcar vão gostar. É saborosíssimo! Fazemos esta mesma receita com abacaxi. Também fica divino.

Você vai precisar de carambolas, limão, açúcar, água e, de preferência, um tacho de cobre.

Fatie as carambolas em estrelas e mantenha as sementes, são deliciosas castanhas! Neste doce usamos o limão siciliano que colhemos no jardim.

   

Usa-se mais ou menos duas vezes mais carambolas que açúcar, ou seja, 1kg de carambola, meio de açúcar. Colocamos o açúcar no tacho com um pouquinho de água para fazer a calda.

Ligue o fogo e assim que o açúcar estiver dissolvido, pingue umas gotinhas de limão, ele evita que a calda açucare. Depois que a calda estiver grossinha, coloque as carambolas e deixe cozinhar em fogo baixo. Cuidado para não derramar!

O objetivo é ter uma calda em ponto de mel. Para isso, desligue o fogo antes deste ponto, porque quando esfria, a calda apura e engrossa.

É um céu de doces estrelas!

   

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granola

A primeira receita da série básicos-clássicos da nossa cozinha será esta eterna granola.

Esta granola é uma receita que desenvolvi há uns 12 anos. Apesar da data, nunca enjoei dela, e sempre tenho em casa. Já ensinei esta receita para um monte de pessoas e todas adoram. É muito fácil fazer e acho que vale muito a pena. Sempre achei que ela é muito mais rica que as prontas de supermercado, e, comparando as vantagens, também muito mais barata.

Esta receita já mudou um pouco ao longo dos anos, mas ainda é basicamente a mesma coisa de sempre. Mistura tudo e forno!; baixinho, mexendo sempre, sem pressa. “Antigamente” eu usava cortar as castanhas em pedaços graúdos, agora as coloco inteiras. Acho que ficam mais lindas e dá menos trabalho. Outra coisa e que o mel, sempre presente, agora estou usando cada vez menos, e até deixando sem. Não tenho estado muito à vontade para colocar mel no forno. Mas deve ser uma fase. Faça com mel! Vale a pena!

Bom, vamos à receita então. É uma receita de xícaras de chá generosas, sem pesos.

Ingredientes:

  • 4 xíc de aveia em flocos graudos ou finos ou um pouco dos dois (atualmente uso misturar os flocos com os de centeio, e até com os de cevada);
  • 2 a 3 xíc de castanhas variadas: amêndoas, avelãs, castanhas do pará, nozes ou outras;
  • 1 xíc de coco ralado grosso ou fino, ou dos dois (se você usar coco ralado na hora é importante dar uma secada nele no forno. Com menos umidade, a granola se conserva por mais tempo. Se usar coco seco, prefira os sem açúcar, não precisa de açúcar!);
  • 1 a 2 xíc de sementes: girassol, linhaça, gergelim, abóbora, etc. Coloco aqui também quinua em grão, ou flocos de quinua.
  • 1 a 2 xíc de frutas secas: uvas passas, damascos picados, banana passa fatiada, tâmaras, e as que você gostar mais
  • 1/2 a 1 xíc de mel

Preparo:

Misturo todas as castanhas e sementes com os flocos dos grãos. Eu costumava sempre colocar o mel nesta etapa também, mas, como disse, recentemente estou deixando o mel de lado neste momento e escolhendo, na hora de comer, qual é o mel bom para o dia.

Enfim, misturo tudo, com exceção das frutas. Ao misturar o mel é importante mexer bem, para que ele praticamente desapareça, e se espalhe por cada grão, se possível. Se você gosta de granola mais doce, pode colocar um pouco mais de mel, mas não a deixe grudenta. Com muito mel, fica fácil queimá-la no forno, e dura menos. Prefira um pouco mais de mel na sua tigelinha diária.

Escolha uma assadeira bem grande e também funda. Se você come uma granolinha só de vez em quando, faça só metade da receita, porque é bastante granola!

Sobre a assadeira, o importante é que a granola fique espalhada numa camada de, no máximo, três dedos de altura, caso você não tenha uma assadeira grandona, faça em duas menores para não empilhar muito a granola, senão demora demais para dourar.

Leve esta assadeira ao forno baixo, uns 150˚C, por uns 20 a 30 minutos, não precisa aquecer o forno, mas se você o fizer, fique esperto e reduza este primeiro tempo. Depois retire a assadeira do forno e mexa a granola. Ela tende a dourar mais nas laterais e, caso seu forno tenha um ventilador, em cima também. Então é importante mexer porque o objetivo é ter uma granola toda dourada por igual.

Volte para o forno, e mais 15 a 20 minutos, mexa novamente. E de novo, e de novo.

Estes tempos são aproximados porque depende muito do forno e da altura da granola. Vá dando uma olhada nas primeiras vezes que fizer, muitas vezes é preciso baixar um pouco mais o forno, caso ela doure demais, em menos de 15 minutos.

Vai demorar um pouco. Ela vai ficar no forno um bom tempo e você vai mexer mais de 4 vezes. Tenha paciência, e fique sempre atento! Quando vai chegando ao final, a granola acelera o dourado, e pode virar queimado!

Você decide quando está boa para você. Quando mais dourada, mais croconte.

Depois que a granola sai do forno, coloque as frutas secas e mexa. Como disse, o coco vai bem no forno, tanto quando ele está fresco, quanto quando seco.

Você pode aumentar ou diminuir, ou retirar ou acrescentar um ingrediente, segundo suas preferências. Fique à vontade! É só observar os pontos importantes do preparo!

Minhas primeiras granolas tinham, misturadas ao mel, uma colher de café de essência de baunilha. Nunca me esqueço do perfume dela pela casa quando a granola começava a dourar no forno. Mas há muito tempo tenho dispensado essências da minha cozinha, e granola acabou ficando sem. Se você gosta de baunilha, teste uma vez colocá-la ao mel.

Compro os ingredientes na zona cerealista de São Paulo e, às vezes, no mercado central de Campinas. São os lugares mas baratos que conheço.

Experimente porque vale a pena!

Caso você ainda não esteja convencido de que esta granola é um arraso (ela é!), ou pior, que vai dar muito trabalho, tente a granola expressa, também é bem gostosa!

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Série dos básicos-clássicos da cozinha efêmera

Depois da temporada alemã, vamos começar aqui uma série das receitas básicas que sempre temos lá em casa mas que ainda não colocamos aqui, seja por falta de emoção em fazer estes pratos do dia-a-dia, seja porque nunca achamos que a receita justa importa tanto.

Contudo, na realidade, acreditamos que são essas comidas de sempre as que mais importam, porque são as que mais nos identificam, as que falam mais sobre nossa cozinha e sobre nossas pessoas. Então, um dos objetivos dessa série é justamente registrar as receitas justas, e exatas, ou quase exatas. Espero que gostem!

Bom apetite!

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Sauerkraut

   

Esta é uma estória que vai ficar sem fim.

Ela termina minha temporada na Baviera e aí, infelizmente, vim embora antes do Sauerkraut ficar pronto. Mas já vale o comecinho. O Sauerkraut é nosso chucrute.

Aqui temos o repolho roxo e o verde. Na Alemanha há muitos outros [Kraut!]. O que usamos para esta receita foi um repolho de cabeça pontuda para cima. Olha que lindo! Cortamos ao meio e aí fatiamos no ralador [de madeira!] e as últimas folhas, na faca.

       

Depois de todo cortadinho o repolho vai para um recipiente enorme de cerâmica esmaltada. Lá colocamos uns temperinhos (kummel, louro, sal e zimbro) e fazemos em todo o repolho uma massagem intensa. Ele começa a soltar água e vai ficando bem macio. É como se cozinhássemos o repolho com a massagem, e ele vai amaciando, amaciando.

   

Depois de massagear bem, a água que ele vai soltando vai aumentando e cobre o repolho. É hora de parar e tampar. Este grande pote vai para a cozinha e fica lá debaixo da pia semanas. Ele vai fermentando aos poucos e por isso se chama Sauerkraut (repolho azedo). Ouvi dizer que depois de algumas semanas se escuta a tampa pulando com a pressão de ar que se forma dentro do pote. O pote é grande porque é uma comida que dura todo o inverno.

As folhas mais duras vão fresquinhas para os porcos. Eles adoram!

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batatas doces assadas com amêndoas

       

Essas batatas doces já são um clássico lá em casa. Só não faço tanto porque são bem calorosas. Boas para dias mais frios.

Elas podem ser prato principal ou coadjuvante. Dos dois jeitos dá, e fica ótimo. Outra vantagem é que não tem erro na hora de preparar. Pode tentar em casa! Vai ser um sucesso!

   

Escolha batatas bonitas! Para este prato não importa tanto se elas são maiores ou menores, mais gordas ou mais compridas, nem se são todas mais parecidas que diferentes. Se forem todas lindas, já vai ficar uma delícia!

Estas fizemos na Alemanha, e eram batatas doces italianas, interessantíssimas: de polpa bem alaranjada. Um pouco diferentes das mais comuns que encontramos aqui no Brasil. Mas a receita dá certo tanto com as de casca rosa, quanto com as mais braquicelas.

Corte as batatas ao meio no sentido do comprimento e deite em uma assadeira, com a casca para baixo, polvilhe sal e leve ao forno até começarem a amaciar. Depois de uns 10 minutos, risque a poupa das batatas com uma faquinha e volte para o forno. Se você não conseguir riscar com facilidade, deixe assar mais um pouquinho.

   

Enquanto isso, picote as amêndoas. Esquente um naco de manteiga na frigideira e junte as amêndoas, vá aquecendo tudo em fogo mancinho até as amênoas começarem a dourar. Pode polvilhar um pouquinho de sal nas amêndoas, e até noz moscada, canela e pimenta do reino, se você gostar.

Coloque as amêndoas douradas sobre as batatas e volte para o forno. Nessa hora o forno pode ser baixinho, só para manter o conjunto quente, enquanto você põe a mesa, abre o vinho e deixa apetecido o paladar de todos com o cheiro da manteiga tostada.

Na hora que tirar do forno, polvilhe uma salsinha bem picadinha por cima e sirva.

Neste dia comemos estas batatas assadas com um vinho alemão tinto! Alguém aqui já viu vinho alemão tinto? É uma coisa tipo urubu branco. Não tem. Mas na Alemanha tem! Foi uma referência nova para mim esta coisa de vinho alemão tinto. É mais leve que um pinot noir básico e mais claro também. Na boca é fácil e não surpreende, nem positiva, nem negativamente. Dá para tomar e ser feliz!

   

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Schuxen

O Schuxen é mais um daqueles: pratos doce-salgados multi-uso da culinária básica alemã.

   

O Schuxen é feito com a farinha cinza, que é a farinha de Roggen. O Roggen é um centeio bem diferente do que vemos no Brasil. Ainda não consegui saber se é um tipo antigo de centeio, como o espelta é do trigo. Mas dá para ver na foto que é bem cinza mesmo.

   

O livro mostra a receita, mais que autêntica! Meio a meio farinha de Roggen e farinha branca, sal, Sauerteig, que seria nossa massa fermentada para pães azedos, ou pode usar fermento para pão mesmo. Leite, o quanto baste, e Quark (Topfel) a gosto.

O Quark é um queijo fresco, feito de leite bovino, cremoso e meio azedinho. Para quem mora em São Paulo, fica a dica de comprar o Quark biodinâmico do Sítio Bahia, de Botucatu aos sábados e terças, (ao lado da) feira orgânica do Parque da Água Branca.

   

Os ingredientes são todos misturados e a massa descansa para crescer, depois da massa fofinha, faça umas panquecas meio ovaladas. Dê uma olhadinha no vídeo que mostra como abrir a massa. (Não repare no mosquito, o curral fica a poucos metros dali.)

Depois é só fritar a massa por imersão, em gordura ou óleo, quente! O resultado é um pão macio sem ser mole, dourado sem ser crocante, doce sem ser salgado e salgado sem ser doce! Enfim, bem neutro!

Pode-se comer com doce ou salgado, neste dia comemos com repolho fresco refogado no próprio molho, quase uma sopinha, e de sobremesa com umas ameixas em compota.  Olha que beleza!

   

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